Depois de um ano difícil para os Institutos Federais por causa do contingenciamento, o III Encontro de Lideranças Estudantis está fechando a agenda dos maiores eventos institucionais do IFNMG neste ano. Com o retorno do orçamento, servidores do Instituto arregaçaram as mangas para tornar possível a reunião de estudantes dos 11 campi no Instituto no Campus Arinos, nos dias 03 e 04 de dezembro.
 
Mas o III Encontro de Lideranças Estudantis não seria possível sem o engajamento dos protagonistas do IFNMG: os estudantes. Foi essa a mensagem passada pelo diretores e gestores do Instituto durante a cerimônia de abertura do evento e ao longo de todo o dia.
 
Educação para transformar
 
O diretor-geral do Campus Arinos, Elias Rodrigues de Oliveira Filho, destacou esse protagonismo dos jovens do Instituto poderá servir para mudar a realidade no Brasil. Ele fez questão de citar dados que revelam que a educação pública e de qualidade é um privilégio de poucos estudantes no país.
 
“Temos algumas mazelas que precisa ser solucionadas. Mais de 50% das pessoas com 25 anos ou mais não terminaram o ensino médio. Ainda temos muitos jovens fora da escola. Por isso, o IFNMG é para muitas pessoas a oportunidade de transformação. Aqui em Arinos, por exemplo, a interiorização do ensino significou a oportunidade de os jovens terem acesso ao ensino superior”, disse o diretor.
 
O reitor José Ricardo Martins também fez questão de apresentar números. “São 25 milhões de brasileiros que não conseguem concluir o ensino médio. E vocês são de 0,8 a 1% dos jovens que têm a oportunidade de estar em uma instituição como o IFNMG”, disse o reitor aos quase 80 alunos presentes na cerimônia de abertura.
 
Foi essa plateia que também ouviu o reitor dizer da importância da reflexão, da autonomia dos jovens, da resiliência, do diálogo e da resistência. “Falta muita ética e caráter aos homens públicos deste país. Por isso, vocês precisam. Por isso, temos que continuar nesse processo de resistência, resiliência e diálogo o tempo todo, pois são vocês que estarão no Congresso Nacional, nas prefeituras e no legislativo municipal”, falou aos estudantes.
 
Como funciona o Encontro de Lideranças Estudantis
 
O evento é uma das principais oportunidades de integração, discussão e encaminhamentos entre discentes, representantes estudantis e a gestão do IFNMG. Dentre outros pontos, a programação conta com apresentações culturais, painel sobre protagonismo juvenil, diálogo com o Reitor, palestras e mesas-redondas. Há a participação de representantes dos grêmios estudantis e diretórios acadêmicos de todos os campi do Instituto.
 
Durante o evento, os estudantes conversam com os gestores e com o reitor do Instituto para apresentar as demandas do segmento discente. As demandas são discutidas no Colégio de Dirigentes, que reúne o reitor, os pró-reitores e todos os diretores-gerais do IFNMG.
 
Para a estudante do 8º período de Agronomia e presidente do Diretório Acadêmico do Campus Arinos, Thais Cardoso de Sousa, o encontro pro interação entre os estudantes e a gestão do IFNMG. “É uma ponte. A partir desse encontro, podemos alcançar melhorias mais imediatas e para os próximos anos”, ressalta a estudante.
 
 
 
Resistência 
 
Um dos momentos mais aguardados da manhã do primeiro dia foi a palestra das professoras Maria Flávia Pereira Barbosa e Elza Cristiny Carneiro Batista. Elas dividiram o microfone e a sensibilidade e autonomia para falar sobre “Liderança Estudantil: a movência que transforma o mundo”.
 
Como professora de português, Maria Flávia utilizou a literatura para embasar sua fala; Elza Cristiny, como professora de história, usou os fatos. Juntas refletiram sobre o valor da empatia, de uma postura sempre questionadora e da atitude.
 
“O estudante não pode ser passivo diante de um texto. Ao estudante, cabe questionar não só o texto, como o professor, o colega, a escola, a sociedade. O estudante não pode ser passivo nem conformado”, expôs a professora Maria Flávia.
 
Segundo a professora Elza Cristiny, foi a postura questionadora de um elite estudantil na época da colonização que questionou a dominação europeia sobre o Brasil, que questionou a escravidão e que lançou as ideias de abolição e república. “Era a elite que estudava fora que falava sobre a ideia de república e abolição. Eram os jovens estudantes, mas claro privilegiados”, contou a professora.
 
Questionamentos assim também são vistos nos jovens de hoje. O estudante do curso técnico em Agroindústria do IFNMG-Campus Salinas Kleberson Cardoso Jardim Júnior, presidente do Grêmio Estudantil do Campus é um desses jovens.
 
“Muitas pessoas falam que nós somos o futuro da nação. Eu não concordo com essa afirmação. Pois as pessoas dizem isso jogando a responsabilidade para a próxima geração. E enquanto a gente não falar que o jovem que vai fazer a mudança é o jovem do presente, o país não vai começar a mudar. Precisamos nos colocar, sim, como protagonistas e começarmos a mudar. Mas a mudança tem que começar onde estamos. Só assim, a gente conseguirá transformar o país”, explicou o jovem (foto ao lado).
 
A programação do III Encontro de Lideranças Estudantis continua nesta terça-feira, 04 de dezembro, com mais apresentações culturais, palestras e mesas-redondas.